A História do Hip Hop
Em busca da paz. O Hip Hop oferece aos jovens da periferia uma alternativa de vida. Vivendo em áreas carentes de São Paulo, metrópole onde a cada hora uma pessoa é assassinada, eles encontram neste movimento uma alternativa de lazer que prega a paz. As mensagens positivas do Hip Hop procuram afastar da criminalidade os jovens que convivem com uma taxa de desemprego de 50% para pessoas de sua idade."O movimento foi criado com a intenção de tirar o jovem das drogas, das brigas de gangue e centralizar a energia que seria para violência, para a criação artística", explica a professora da USP que preparou uma tese de mestrado sobre Hip Hop, Elaine Andrade. O Grito da Periferia mostra como essa cultura de pessoas que normalmente sofrem discriminação econômica e racial tem como mensagem maior a paz, uma visão positiva que se contrapõe à violência e ao uso de drogas. Para a socióloga Helena Abramo, "O Hip Hop é a expressão cultural de jovens pertencentes a classe sociais e étnicas discriminadas e excluídas em diversos países".
A História do RAP
A origem do Rap remonta à Jamaica, mais ou menos na década de 60 quando surgiram os "Sound Systems", que eram colocados nas ruas dos guetos jamaicanos para animar bailes. Esses bailes serviam de fundo para o discurso dos 'toasters', autênticos mestres de cerimônia que comentavam, nas suas intervenções, assuntos como a violência das favelas de Kingston e a situação política da Ilha, sem deixar de falar, é claro, de temas mais prosaicos, como sexo e drogas. No início da década de 70 muitos jovens jamaicanos foram obrigados a emigrar para os EUA, devido a uma crise econômica e social que se abateu sobre a ilha. E um em especial, o DJ jamaicano Kool Herc, introduziu em Nova Iorque a tradição dos "Sound Systems" e do canto falado, que se sofisticou com a invenção do scratch, um discípulo de Herc. O primeiro disco de Rap que se tem notícia, foi registrado em vinil e dirigido ao grande mercado (as gravações anteriores eram piratas) por volta de 1978, contendo a célebre "King Tim III" da banda Fatback.
O Movimento com a Palavra
Veteranos, como Nelson Triunfo, falam de sua experiência. Ele lembra dos primórdios do movimento na década de 80, quando começaram a dançar o passo moonwalker, popularizado por Michael Jackson. Mano Brown, que há anos lidera o grupo de rap mais popular e polêmico do Brasil, os Racionais Mc's, também fala no documentário. Ele, que é considerado um ídolo, mas acima de tudo, um sobrevivente; lembra que seus contemporâneos que se envolveram com o crime e as drogas, morreram. O Grito da Periferia dá a palavra aos jovens ligados ao Hip Hop. Eles comentam como os dançarinos de break não usam drogas, porque elas prejudicam os movimentos, e como o Hip Hop é uma cultura politizada. Simone da posse Negroatividades afirma: "O pessoal canta aquilo que ele sofre e vê todo dia".